00:23 Brasil vira estrela do mercado de caminhões
Por Cleide Silva
São Paulo
A indústria brasileira de caminhões, que deve crescer 30% este ano em produção, atrai novos investimentos, a exemplo do que ocorre no setor de automóveis. Ambos os segmentos terão resultados recordes em 2007. Para as matrizes das companhias, o País voltou à lista de prioridades, ao lado da China.
"As duas principais diretrizes do grupo hoje para sua globalização fora da Europa são a América Latina, com o Brasil à frente, e a China", diz o presidente mundial da Iveco, Paolo Monferino. Ele veio ao País ontem para visitar o Salão Internacional do Transporte (Fenatran), que vai até amanhã.
Um dia antes, a Iveco, empresa do Grupo Fiat, anunciou investimentos de R$ 375 milhões na região nos próximos três anos, a maior fatia para a fábrica de Sete Lagoas (MG). O montante é 60% maior que o previsto anteriormente e será aplicado em novos produtos, aumento da capacidade de alguns setores e início da produção local de cabines para caminhões grandes, hoje feitas na Argentina.
Em entrevista ao Estado, Monferino diz que o mercado europeu, onde a empresa tem a maioria das suas 38 fábricas, cresce de 2% a 2,5% ao ano, enquanto nos países emergentes, como Brasil e China, o ritmo é bem mais acelerado.
Nesta semana, a Ford também anunciou que vai aplicar R$ 300 milhões na unidade de caminhões em São Bernardo (SP) até 2011. A Agrale pretende investir R$ 25 milhões. Já a Mercedes-Benz, maior montadora do setor, deve anunciar em breve planos para ampliar a produção em 20% no ABC paulista, enquanto a Volkswagen, que concluirá em 2008 um aporte de R$ 100 milhões, deverá informar o programa futuro para a fábrica de Resende (RJ). Quase todas as marcas têm atualmente fila de espera de produtos de até seis meses.
Parte dos investimentos deve ser usada no desenvolvimento de tecnologias para atender às novas normas de emissão de poluentes nos caminhões. Para atingir as novas metas, chamadas de Euro IV - que devem entrar em vigor em 2009 -, alguns veículos passarão a ter um segundo tanque com uréia, para a filtragem de poluentes.
As oito fabricantes brasileiras devem produzir este ano mais de 130 mil caminhões, o que faz do País o sexto produtor mundial. O recorde anterior foi em 2005, com 118 mil unidades.
Sinergia
Na estratégia da Iveco de priorizar o Brasil e a China, a empresa iniciará, no segundo semestre de 2008, a troca de componentes entre os dois países. O País vai exportar eixos para caminhões de grande porte e receberá da China transmissões para caminhões leves. "Futuramente, podemos pensar na troca de motores", diz Monferino.
"Com a sinergia, podemos fazer um único investimento em um dos países e produzir em escala maior." Para ele, essa economia pode compensar os custos de logística de transporte de um país ao outro. Esse tipo de sinergia, diz, deve se intensificar em várias áreas no futuro.
A Iveco tem três joint ventures na China e deve produzir cerca de 95 mil caminhões este ano, num mercado previsto em mais de 700 mil unidades. O investimento no país será de US$ 350 milhões em três anos.
A Ford, que tem fábricas de caminhões no Brasil e na Turquia, trouxe para a Fenatran duas vans de passageiros e cargas feitas no país europeu para analisar o interesse dos clientes e futura importação.
Sem liderança
A Iveco foi a última montadora de caminhões a se instalar no Brasil, há pouco mais de dez anos, e mantém participação de 6% no mercado, com vendas previstas de 9 mil unidades este ano e de 12 mil em 2008. "É a única divisão da Fiat em que não somos líderes no País", diz Monferino, referindo-se aos segmentos de automóveis e máquinas agrícolas. "Mostra que temos espaço para crescer."
Na América Latina, a Iveco também tem fábricas na Argentina e na Venezuela, mas o Brasil "é o centro para as empresas nessa área", afirma o executivo.
A empresa está instalando em Minas Gerais um centro de desenvolvimento de veículos para a região, que será inaugurado em fevereiro com cerca de 50 a 60 engenheiros. Eles serão responsáveis por um trabalho mais amplo de modificações nos veículos da marca, hoje totalmente criados na Europa. As informações são do O Estado de S. Paulo